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06/02/2006


Ultima mensagem

 

 

Antes de apertar o gatilho, com lagrimas no cílio em tremor nos meus últimos suspiros, lembrei:

De cada rostinho que me fez sorrir nesta vida, de cada carinho que deixaram esta experiência na Terra mais comprida.

 lembrei do esforço que fiz, com palavras e gestos que me contradiz, para acreditar que este mundo também era meu mundo, mas eu já pequenino percebia que iria sofrer absurdo, neste lugar que não consegui me encontrar.

Com o cano gelado no céu da minha boca, revivi cenas locas, como a de  quando passeava na praça da biquinha, com o kichute no pé me sentindo  pequeno “Maomé” correndo incessantemente atrás  de pombinhas... eram quase três anos de idade apesar destes momentos de raridade, existiam momentos de pura solidão daquelas que esperamos uma mão que não chega e só faz apertar o coração...

Momentos antes de friccionar o dedo, em uma mistura de ansiedade e medo, imaginei quem poderia se abalar com minha atitude, mudei de local onde não me encontrassem, onde não vissem resto mortal...

A desistência naquele momento só se daria se não encontrasse acalanto no descanso da morte

Eu lutava para não imaginar a dor da mamãezinha amada

Dona veia não tem a ver com nada ela sempre ajudara na caminhada , tentou de tudo para amenizar a dor do estupro do surdo mudo mundo qual não me atento

Ela disse “te amo bastantão de grande” uma das frases que tinham me levado adiante , dos anteriores premeditados auto atentados

Ela me fazia renascer quase sem querer toda vez que me encontrara as magoas em minhas fugas desesperadas, mas em um caminho que nunca foi minha estrada um planeta que não tenho estada

Eu cantei com gosto de ferro quase aos berros a canção que não me sai do coração:

“Sereno eu caio eu caio, sereno deixar cair , sereno da madrugada não deixou meu bem dormir, minha vida aiaiai, é um barquinho aiaiai navegando sem leme e sem luz, quem me dera aiaiai que eu tivesse aiaiai o farol de teus olhos azuis”

Eu tive receio de partir para o recreio de paz e ninguém mais olhasse meus pobres animais... porque sempre soube, sem duvida  da divida, pela dividia harmonia da relação de companhia  que tive com a minha pretinha, mal humorada como era, abria o sorriso “rabal” em todo momento que me virá, simplesmente levando meu mal, sem contar a cagurisses de meu negão, que barbudo e muito sujo sempre me levara ao delírio c/ suas lambidas seus uivos... planejei minha vida com minhas duas crianças, que me fizeram morar só, me fizeram prosseguir distancias, amigos que não consigo esquecer que será amor mesmo quando morrer

Antes do disparo passeie em memórias onde se encontravam meus irmãos, que como poucas pessoas neste mundo conseguiam ser antídotos para minha solidão, cada qual com sua composição, mas todos eles como travesseiros para minhas noites de indisposição, me sentia tão forte ao lado deles que protelavam minha decisão

Deu tempo de agradecer a todos os meus amigos, em forma de rezas pedindo-lhes abrigos das horas de angustias, dos momentos de fraquezas da exorcisão  de  bruxas do converter de tristezas... pedi para cada um disso tenham certeza

A mulher que sofrera tanto por mim... foi retrato de minha retina, pois parti assim olhando a foto de quem merecia todo meu respeito, de quem não se encontra nenhum defeito de quem explica porque vim....

Me despedi de todo meu prazer, das musicas que jamais me deixaram morrer  pois quando quiserem minha energia, escutem morcheeba, leiam meu blog de poesias e esta é a ultima mensagem que aqui caberia, pensem da revolução de minha anarquia

Agora ofegante de mãos suadas, de alma saudada, arregalo o olho, tremo todo o corpo, choro sem parar escondido em algum lugar, quase não querendo a vida traspassar aperto devagar o que nem o dl conseguiu frear , minha solidão em meio a todos prossigo meu jeito de encerrar, acomodo o dedo no gatilho e como a sina de todo bom filho a procura do pai até encontrar...amei todos vocês e desculpem a covardia   

Escrito por musica às 02h42
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